No início, era uma tampa de panela de pressão. Era ela, ou o encosto da cadeira, que José Eduardo Fernandes Borges usava para fingir, em frente ao espelho, que tocava em algum programa de TV. Era década de 60, início da Beatlemania, surgimento da Jovem Guarda.
Foi no dia 13 de outubro de 1966, ao completar 11 anos, que José Eduardo ganhou enfim seu violão e começou as aulas. Meia dúzia de aulas com Vicente Moreno, na verdade. O bastante para aprender alguns acordes e começar a caminhar sozinho - ou quase. Não foram poucas as visitas à casa de Oswaldo Malagutti, fundador do grupo Pholhas. Era quem afinava o Giannini nº 8, desafinado propositalmente apenas para encontrar o ídolo - e aprender mais uma música dos Beatles.
Aos 13 anos, já tocando em festivais de bairro em São Paulo e acompanhando uma colega de classe que imitava a cantora Wanderléa, José Eduardo já estava no caminho, sem volta, para a música. Para ser Faiska. Aos 17 anos, com ajuda do amigo e baterista Franklin Paolilo (ex-Tutti Frutti e Raul Seixas), entrou para a banda de Eduardo Araújo e Silvinha, de onde só saiu para tocar com o Zappa, uma das mais importantes bandas cover dos anos 70, onde encontrou o até hoje grande amigo e guitarrista Álvaro Gonçalves.
Faiska ficou no Zappa até 1979, fazendo paralelamente suas primeiras gravações com outros músicos. Entrou então para o Joelho de Porco. Dividir palco com Tico Terpins e Zé Rodrix trouxe a Faiska a oportunidade de gravar jingles publicitários de marcas importantes - entre elas, Casas Pernambucanas, Duracell, McDonald’s e Playcenter. No início dos anos 80, Faiska participou das gravações do primeiro disco do Tokyo, banda do cantor Supla, e da música “Voltei pra Você”, do amigo e compositor João Paulo.
Os anos 80 serviram para solidificar a carreira de Faiska. Entre os grandes momentos está a bem sucedida participação no Festival dos Festivais, da TV Globo, em 1985, com o Zona Sul -formada também por Rubinho Ribeiro (voz), Álvaro Gonçalves (guitarra), Celso Pixinga (baixo) e Carlinhos Bala (bateria). Com o fim da banda, Faiska passou a acompanhar artistas de diversos estilos, o que o ajudou a tornar-se um dos mais completos guitarristas do país. A lista, hoje, é grande. E inclui, entre outros, Fabio Jr., Fagner, Os Incríveis, Leandro & Leonardo, Ná Ozzeti, Ney Matogrosso, Rita Lee, Wanessa Camargo, Jovem Guarda, Casa das Máquinas, o baterista Carmine Appice, entre outros. Faiska ainda abriu shows do guitarrista Frank Gambale e da banda inglesa Deep Purple.
Em 1990, incentivado por Celso Pixinga, lançou o disco Nevoeiro. Era o que faltava para dar o pontapé na carreira-solo, que inclui também sete videoaulas. Ainda nos anos 90, fez parte do grupo Trielo, ao lado outros dois grandes nomes da guitarra: Mozart Mello e Álvaro Gonçalves (que depois foi substituído por Tomati). Faiska foi também eleito pelas revistas Guitar Player e Bizz um dos dez melhores guitarristas do País. Em 1994, saiu o álbum Stratosfera e, em 2004, foi lançado Bend, o terceiro trabalho-solo. Atualmente, Faiska realiza shows e workshops por todo o Brasil, mostrando a força de sua música e de uma guitarra bem tocada. |